Frases 1
A casa caiu. (Às vezes The house went down)
Homi...
Ronaldo.
Não entornas o caldo. (Não dificulta as coisas)
Ai titia.
Emmmmmmmmmmm?
Qual é o taxista que trabalha de madrugada?
Soubesse não?
Ei, aí o português chegou... (introdução de toda piada de português)
Isso dá quanto em dólar?
Ronaldo.
Tem pelada hoje? (Eu e Victor sempre perguntamos, mas nunca conseguimos ir)
Vou querer lulas grelhadas, por favor.
Eu também.
Tais a ver? (Tiramos onda com o “tá ligado“ do português de Portugal)
Carai, vai bater. (Ainda estamos nos acostumando com a direção do lado direito)
Fino da porra. (Povo aqui é doido dirigindo)
Isso se diz aqui?
Ronaldo.
Simbora menino.
Whatever.
Podes fazer um recibo em nome da DDB?
BBD não, DDB. Dê, dê, bê. Dê de dado, dê de dado, bê de bola.
Meu irmão, é só ir lá, pegar a Coca e trazer. (atendimento aqui é péssimo)
Fanta ananás, por favor. (Exclusiva de Lenin)
Vou querer bife à princesa.
Homi, sal aqui deve ser muito caro. (Eles não colocam sal na comida)
Mcel.
Ronaldo.
PUTA QUE PARIU, OLHA O TAMANHO DESSE MOSQUITO.
300 metros
- Narciso, passa ali naquele lugar que a gente viu uma mulher vendendo água por 1 metical o copo.
(Depois eles me contaram que era um único copo para todos que queriam beber aquela água mais suja que a que sai do seu chuveiro)
O lugar era exatamente a materialização do seu primeiro pensamento quando a palavra África aparece na sua frente.
Quase que eu desisto de colocar este texto aqui no blog porque eu só pensava: não vou conseguir descrever aquele lugar. Pra piorar, sou péssimo em descrições. Mas foi o seguinte, depois de uns 300 metros da rua onde entraríamos para a agência, o cenário mudou bruscamente.
Antes era uma rua asfaltada, onde eu via posto de gasolina com loja de conveniência, farmácia, lojas, prédios, casas, árvores, carros estacionados e outros elementos de uma civilização normal.
A partir daqueles 300 metros, eu só vi uma única rua onde só era possível passar 2 carros. Um indo, outro voltando.
A “calçada“, que não era calçada, estava LOTADA de objetos para serem vendidos. Tinha de tudo: de pão a sutiã usado. Roupas empoeiradas, frutas provavelmente podres, bonés, tênis usados, DVDs piratas e tudo de menos original e 0 Km que você possa imaginar.
Isso já era um cenário horrível. A 25 de março é uma Daslu perto daquilo. Mas o pior estava por trás desse comércio. Não eram casas, nem barracas, nem apartamentos. Não, nem de longe. Nada de muros, argamassa, cimento, postes, portas, tijolos. Nada. A cor predominante era o marrom. Umas ruelas de barro que foram feitas para pessoas abaixo dos 80 quilos passarem. Um gordo ali tava lascado, ficava entalado.
Andamos durante um quilômetro nessa rua. Na volta, Zeca me falou um negócio que eu fiquei pensando:
- Serginho, é pra essas pessoas que você vai ter que criar. Esse é teu público, cara.
E é verdade. O lugar que nós estamos é um mundo de conto de fadas. Prédios, casas, postos de gasolina, árvores, BMWs, Mercedes, Audis, Land Rovers, redes de fast-food. Essa parte de Maputo que vivemos e trabalhamos é um privilégio de poucos. O povão, a classe média, a maioria dos africanos mora ali: a 300 metros do lugar onde trabalho.
Avião
Hoje eu vi um ultra-leve aqui em Maputo. Na verdade, não sei identificar se era ultra-leve ou uma asa delta, mas foi bem interessante. É o seguinte, estávamos trabalhando tranquilamente na nossa sala – eu e Lenin – quando, de repente, um pterodátilo invade nosso espaço aéreo. Meu irmão, foi foda. Chamar aquilo de muriçoca ou de pernilongo é como chamar um elefante de esquilo. IMPRESSIONANTE o tamanho do bicho. Mas, pra tristeza dele e alegria nossa, seu tamanho desfavorecia sua agilidade. Quando pousou no vidro – o que causou um breve estardalhaço e tremedeiras na estrutura – busquei rapidamente uma régua T para esmagar o bicho. A tensão na sala era grande, todos aflitos no lado oposto. A cada passo que eu dava, mais eles se encolhiam. Era possível ver os olhos do bicho – distraído – analisando o pavor do outro lado da sala. Graças a um impulso anormal e corajoso, consegui pressionar a régua T contra as costas – possivelmente vertebrada – daquele gavião.
Tudo deu certo. Todos voltaram a trabalhar depois que mandamos o animal para ser empalhado, mas vamos pedir para o dono colocar grades nas janelas da sala da criação.
Primeiras fotos
O dono do bar é esse sul-africano de casaco preto que é uma mistura de Costinha com Steve Martin.
Entre Victor e Rui está a Francisca (portuguesa que faz um estágio na DDB de 1 mês).
Ironia
- Olá, tudo bem?
- Tudo bem, obrigada. E com o senhor?
- Também. Sou Sergio, prazer. Qual o nome da senhora?
- Argentina.
Queca quente
Victor e Lênin decidiram cortar o cabelo aqui em Maputo. Um fato que eu não posso deixar de citar, é que o cabeleireiro era cego de um olho. Pronto, agora que eu citei, vamos à historinha:
Os meninos foram cortar o cabelo e me chamaram. Para não ficar em casa sem fazer nada, resolvi aceitar. O salão fica em um shopping bem simples daqui – Polana Shopping. E, pra não esperar os meninos cortarem o cabelo no próprio salão, eu subi até o café e fiquei lá. Pedi um pastel de Belém – na mesma hora a atendente corrigiu para pastel de nata – e o um chocolate quente.
Fiquei lá sentado, lendo um livro. Cerca de 15 minutos depois, chegou Victor e pediu um sanduíche. Lênin ficou cortando o cabelo.
Assim que ele terminou de cortar o cabelo, juntou-se a nós. Como também estava com fome, ele me perguntou o que eu havia comido:
- Iai, comesse o quê?
- Rapaz, um pastel de Belém, que aqui chamam pastel de nata, e um chocolate quente, que aqui chamam de Queca quente.
Vamos para o dialogo de Lênin com a atendente:
- Oi moça, eu vou querer um pastel de nata, né? Neste momento, Lênin olhou pra mim com um ar de aprovação, como quem diz: falei certo, né?
- Certo, pastel de nata. E pra beber?
Ansioso pelo chocolate quente, ele respondeu com pressa e empolgado:
- Pra beber, quero uma queca quente.
- Oi?
- Queca quente. Queca.
Bom, a parte engraçada da história é justamente esse finalzinho. Chocolate quente aqui é chocolate quente, e não queca quente, como eu falei pra Lênin. Na verdade, queca significa uma maneira bem vulgar de falar a expressão “fazer amor“. Pra ser mais direto, queca significa trepar.
A mulher ficou sem entender, enquanto eu e Victor nos acabávamos de rir. Chorando mesmo. No final, a mulher entendeu que era uma brincadeira e a gente passou o dia rindo. Perdemos a confiança de Lênin, mas o que importa é a história pra contar.
Nosso primeiro job
Ah, a campanha pedia filme para TV, anúncios para rádio, jornal e outdoor. O que mais nos preocupava era TV, pois precisaríamos escolher os atores, o local de gravação, figurino e etc em menos de 5 horas.
Os atores foi rápido.
O figurino foi rápido.
O local foi rápido.
Sobre os 2 primeiros, não vou falar nada, mas sobre o local, preciso contar. Os brasileiros que escolheram o local fui eu, Lenin e Victor. O Zeca ficou na agência. E isso nos deu uma ideia.
Agora vou transcrever a descrição do local que fizemos pra ele quando chegamos na agência:
- Zeca, fudeu. Seguinte, o local já está escolhido e provavelmente vamos ficar até umas 5 da manhã gravando. O problema é que qualquer quitinete é uma mansão comparado ao local da gravação. E o pior é que serão umas 20 pessoas no total. O lugar é imundo, de difícil acesso, mal iluminado e fedorento. Ou seja, toda aquela imagem negativa que temos da África estão presentes no local onde vamos passar as próximas 5 ou 6 horas de nossas vidas. Muito mosquito, água podre e mofo.
Hahahaha. Calma ae. Isso a gente disse pra assustar o Zeca. Na verdade, nosso local de gravação era uma suíte presidencial de um hotel chinês. A suíte tinha nada menos que 3 andares, com direito a 6 quartos, várias salas, cozinha, jacuzis, mesas para jogar baralho e uma coisa que garantiu nossa diversão: uma mesa de ping pong. Foi muito legal. Rimos bastante nas gravações, trabalhamos, dormimos e, claro, jogamos ping pong.
Saímos às 4h30 da manhã.
Nossa primeira noite
Depois do Mundo’s, fomos para outro bar a convite do dono da DDB – o Vasco. Isso já era cerca de 22h, e o aniversário do Vasco seria no outro dia. Portanto, ficamos no bar até 00h, onde o próprio dono do bar – um sul-africano muito engraçado – fez uma surpresa trazendo taças, champagne e confetes (aqueles bastões que o cara puxa uma cordinha e explode com confetes). Depois da “festa”, o Vasco nos deixou no hotel.
Este último bar chama-se Chimis. Ele fica na frente da praia e estava vazio na hora e dia que fomos (segunda de 22h30). Na parte que ficamos, era uma estrutura de madeira com mesas em cima e embaixo. Ficamos na parte superior. Mesas grandes e uma iluminação mais escura que clara. Pedimos algumas cervejas locais e alguns petiscos – não estávamos com tanta fome, já que comemos no Mundo’s.
Chegando em Maputo
No hotel, estamos cada um no seu quarto. Chegamos às 11h30 e tivemos um tempo para descansar. O hotel é agradável e confortável, apesar de não ser nada demais. Assim que cheguei, fui desfazer as malas para que, finalmente, pudesse tomar um banho. Ah, o chuveiro. Victor já nos havia alertado sobre o uso do chuveiro e Zeca deu uma aula rápida assim que chegamos. Porém, na hora de tomar banho, lutei muito contra o chuveiro. Briga feia. Tentei girar, apertar, puxar e nada de sair água. Como eu estava louco para tomar banho, resolvi ligar para a recepção:
- Olá, sou do 913 e acho que o chuveiro não está funcionando.
- Está sim, basta puxar o botão.
- Já fiz isso, puxei o botão, girei, apertei e não saiu.
- A torneira precisa estar a jorrar.
- Ahhhh
Porra, primeiro eu preciso ligar a torneira da banheira, depois puxo o botão. Então um mecanismo faz com que a água da torneira pare de sair e vá para o chuveiro.
O VOO
O serviço de bordo foi um pouquinho ruim. Cerca de 1 hora após o embarque, as aeromoças ofereciam “Beef or chicken?”. Escolhemos a primeira opção. Pra nossa decepção, a comida não era muita, nem gostosa. Não chegava a ser ruim, visto que a fome ajudou a melhorar o gosto. Comemos tudo direitinho, um aperto da bixiga e somente no ano de 2014 as aeromoças recolheram o que já estava em estado de decomposição. Eu queria ver se tivesse dado uma disenteria em alguém, porque a mesinha ficava aberta cheia de comida e lixo em cima, copos com restos de sucos e gelos. Pro cara sair dali tinha que fazer uma manobrinha considerável. Mas ainda bem que o desarranjo só veio aparecer quando já estávamos no hotel. Porém, antes de chegar no hotel, chegamos em Johanesburgo.
O aeroporto de lá é impressionante. Estávamos na área de embarque internacional. E isso quer dizer que estávamos rodeados de freeshops e lojas impressionantes. Algumas chamaram atenção como a da Ferrari e os Duty Frees gigantes, mas as lojas africanas deixam essas outras no chão. Muiiiita coisa interessante. Muita coisa de decoração que a gente ficava impressionado com a riqueza de detalhes, as cores, o acabamento. O ruim é que não tivemos muito tempo pra visitar tudo isso com calma, pois nosso voo sairia em 1 hora e estávamos em um lugar onde jamais estivemos antes, falando uma língua que não é a nossa, com pessoas que não estão muito dispostas a nos ajudar. Chegamos ao aeroporto de Johanesburgo às 8 da manhã, e nosso voo para Maputo já era às 9 – depois vimos que atrasou um pouco também (9h45), mas não deu tempo de visitar todas as lojas.
Eu não comprei nada no aeroporto. Mais pela falta de tempo e de decisão, que pela pena de gastar meus dólares. Não sei se chego a me arrepender de não ter comprado nada, mas pensei: não é a última vez que passo por aqui. E outra, eu estava acabando de chegar na África.
Meus voos
Em São Paulo, além de trocar de aeronave, vamos esperar muito, porque o voo só sai às 18h. Nossa companhia aérea será a South African Airways e eu não faço a menor ideia da hora que vamos chegar em Johanesburgo, mas só em chegar eu já fico satisfeito. Depois dessa escala na África do Sul, seguimos pra Maputo – nossa última parada. Bom, não faço ideia também da hora que chegaremos em Moçambique porque na passagem tem fuso horário e eu não tive cabeça ainda pra calcular.
Tomando vacina
- Olá moça, aqui tem vacina de febre-amarela?
- Tem sim, é pra você?
- É.
- Pode sentar. Você vai pra onde?
- África, Moçambique.
- Ah, então vamos tomar a de tétano e a de paralisia infantil também.
- Oxem, paralisia infantil? E eu num sou adulto não?
- É. Mas no continente que você vai existe incidência de paralisia infantil em adultos.
- Vôte. É gotinha?
- É.
- Jóia.
Eu sei que no final das contas deu tudo certo. Febre-amarela no braço direito, paralisia infantil com 2 gotinhas na boca e tétano no braço esquerdo. As 2 primeiras são tranquilas, a de tétano eu pinei um pouco porque antes de aplicar, ela disse que era intra-muscular. Como eu achei essa expressão bonita, comecei a pensar que ia receber um tiro no braço. Engano meu. Realmente, no outro dia a de tétano doía um pouco mais que a de febre-amarela. Mas extremamente suportável.
E agora uma informação útil pra quem deseja viajar um dia para um país que exija vacinas: quando você se vacinar em algum posto de saúde, vai receber uma cartelinha com os carimbos das vacinas. Esta cartela precisa ser trocada por uma carteira internacional – emitida pela ANVISA. Não sei se a ANVISA é o único órgão emissor deste documento, mas sem ele, você não desembarca no país.
Curiosidades sobre Maputo
Moçambique fica em frente à ilha de Madagascar.
Ao contrário de Madagascar, Moçambique não aparece no War.
A língua oficial é o português.
Lá, a direção é do lado direito.
A moeda é o Metical (27 meticais = 1 dólar – varia muito essa relação).
O oceano é o índico. Maputo é litorânea.
O presidente de Moçambique é Armando Emílio Guebuza.
Se você decidir vir para Moçambique, deve se vacinar contra a febre-amarela. Caso você não se vacine, não vai conseguir sair do aeroporto.
Maputo possui cerca de 1 milhão e 100 habitantes.
Comigo e Lenilson, 1 milhão e 102.
Com Quel, subimos para 103.
Mais uma curiosidade: aqui é normal os homens andarem de mãos dadas quando são muito amigos. Mas no primeiro indício de que algum colega tá virando amigo, eu corto a amizade.




