Eddie Vedder - Long Nights

"Gostaria de repetir o conselho que lhe dei antes: acho que você deveria promover uma mudança radical em seu estilo de vida e começar a fazer corajosamente coisas em que talvez nunca tenha pensado, ou que fosse hesitante demais para tentar.

Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito do homem que um futuro seguro.

A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura. A alegria da vida vem de nossos encontros com novas experiências [..]

Você está errado se acha que a alegria emana somente ou principalmente das relações humanas. Deus a distribuiu em toda a nossa volta. Está em tudo ou em qualquer coisa que possamos experimentar. Só temos de ter a coragem de dar as costas para nosso estilo de vida habitual e nos comprometer com um modo de vida não-convencional.

O que quero dizer é que você não precisa de mim ou de qualquer outra pessoa para pôr esse novo tipo de luz em sua vida. Ele está simplesmente esperando que você o pegue e tudo que tem a fazer é estender os braços. A única pessoa com quem você está lutando é com você mesmo [..]

Espero que na próxima vez que eu o encontrar você seja um homem novo, com uma grande quantidade de novas experiências na bagagem. Não hesite nem se permita dar desculpas. Simplesmente saia e faça. Simplesmente saia e faça. Você ficará muito, muito contente por ter feito." (carta de "Alex" McCandless para Ron Franz)



Assim que puderem, assistam a Into the Wild.

Quero ir pra Cannes fazer turismo.

Enjoei de propaganda, pronto, tá escrito. Passei do estágio de pensar sobre esse enjoo (e de confessar para os meus amigos mais confidentes), para o estágio de escrever sobre esse enjoo (e dividir com quem ainda não é meu confidente). Eu vivia publicidade o tempo todo. Trabalho com isso, usava meu tempo livre pra isso, meu assunto preferido nas mesas de bar era isso, meus amigos eram por causa disso e eu até cagava com algum livro ou revista sobre isso. Só que agora eu enjoei. Mas calma, senhora propaganda, toda ex-paixão merece respeito, consideração e, quem vai negar, uns amassos de vez em quando. Eu disse que enjoei de propaganda, eu não disse que abandonei a propaganda. Lá vou eu e minha necessidade de deixar tudo explicado, para que não hajam interpretações desdenhosas e distorcidas:
enjoei de ficar acessando sites de propaganda;
enjoei de perguntar “ei, visse aquela campanha?“ (sabendo que a resposta provavelmente seria “não“ porque eu, como excelente e dedicado publicitário, estou por dentro das últimas-melhores-campanhas criadas no eixo EUA/Argentina/Londres/Brasil/Pessoal do Oriente – que estavam fazendo (pelo menos na época em que eu não tinha enjoado de propaganda) uma excelente propaganda;
enjoei de “pensar em“ ou “pensar pra Cannes“;
enjoei dos twitters dos publicitários – que insistem em dar RT nos twittes de outros publicitários, cuja mensagem eu já tinha lido, pois seguia ambos;
enjoei de ficar até tarde, mas isso não é nenhum mérito, era falta de noção;
e enjoei de “vamos fazer pra pasta“.
Agora quer ler um desabafo? Eu gostei do resultado, taí. Digam o que quiserem, pensem o que quiserem, deixem de me contratar porque querem, mas eu gostei disso, oh?!
As consequências foram inéditas pra mim: conheci novos amigos, de novas áreas; aprendi sobre música; vi seriados; assisti a mais filmes; li mais livros sobre tudo, exceto publicidade; viajei, conheci novos lugares e substituí os livros e as revistas de publicidade na hora de cagar por um violão, apesar do meu banheiro ser apertado.
Não vou usar meu emagrecimento pra reforçar as qualidades de enjoar de publicidade, já que eu encaro isso como força de vontade minha. Portanto, aproveitando: parabéns pra mim nesse ponto.

Estou feliz com o resultado. Enjoar de propaganda abriu minha cabeça e, na minha opinião, melhorou o meu compromisso com a publicidade. A vontade antiga de usar a publicidade com intuito primordial de me promover através de anúncios criativos, campanhas geniais e ações que tiravam expressões manjadas do enjoativo mundo da publicidade, como “do grande caralho“, foi substituída pela vontade atual de promover uma marca e, essencialmente, melhorar a vida do consumidor – que, no caso atual do mercado em que atuo é composto 70% por analfabetos e pessoas que vivem com menos de 100 dólares por mês (portanto, necessitam demais de um publicitário que pense neles, não num festival).

A conclusão final, que coincide com a conclusão deste texto, é a mais sincera possível. Não tenho pretensão de abandonar a publicidade, de forma alguma: tenho um grande compromisso de retribuir tudo que ela me proporcionou. Mas tenho, sim, a pretensão de olhar menos para propaganda e mais para a vida. Eu ouvia isso o tempo todo e achava que estava dando conta dos dois. Eu acho que esse tempo que olhei muito para propaganda me ajudou a entender como se faz propaganda. Agora eu preciso começar a transformar o que eu vivo naquilo que eu enjoei.