Cheguei aqui inocente, ingênuo. Achando que era mais um superior ocidental que iria fazer seu papel na África. E quando falava em África, eu sempre me referia – principalmente para mim mesmo – como um “país“ pobre, com baixa expectativa de vida, primitivo, cheio de tragédias. Mas esse era só um lado da África que eu conhecia. O lado que sempre me foi mostrado ou contado. Mudei (e mudem!) de opinião. A curiosidade pelo desconhecido me fez conhecer um novo mundo, uma nova história e uma nova perspectiva para o – então – fascinante, lindo, empolgante, surpreendente e envolvente continente africano.
As mudanças foram provocadas por histórias contadas e experiências vividas. E agradeço a Deus por ter me dado essa curiosidade de estar constantemente me colocando à disposição de conhecer um outro lado das histórias, mesmo que inconscientemente.
Cheguei aqui (e ainda continuo) com 22 anos. Mas nem de longe me acho parecido com o cara que desceu do avião no dia, se não me engano, 6 de julho de 2009. Daqui a alguns dias completarei os 23 e, consequentemente, 1 ano de África. O ano mais feliz, mais marcante e mais esclarecedor da minha vida, até agora.
Deem chance para conhecer outros lados das histórias que vocês já estão cansados de ouvir. A bondade, as boas ações, as mudanças representativas da vida acontecem quando você se dá essa oportunidade. Promover a mudança em si é um ato que exige um pouco de egoísmo em alguns aspectos – como ter que abandonar uma família e um conforto antes desvalorizado, por exemplo – mas que acaba por se revelar um egoísmo sadio, compreensível e suportável. Hoje assisti a um dos discursos mais lindos que já escutei na vida, e que fala exatamente sobre tudo isso que escrevi. Assistam também:
PS.: Ativem a legenda em português clicando em "view subtitle".
7 comentários:
Ela tem um livro editado aqui no Brasil, Serginho, se chama Meio sol amarelo. Ainda não li. Mas pretendo. Abraço grande.
Berna
Bernoso, sempre muito útil na minha vida! Obrigado, grande abraço.
Suas palavras me são familiares demais. Nos conhecemos em mudança né?!
Muito bacana sua estadia na África e mais ainda esse exemplo de mulher que está no vídeo. Ele está pronto pra nos desarmar dos estereótipos e desandar pré-conceitos!
Ontem mesmo eu estava com o discurso do estereótipo da África, conversando com meu marido sobre a Copa e hj esse vídeo veio pra que eu morda a língua!
Bjs pra tu e que venham mais Áfricas pra você... tu vais completar 23 anos e tem vários mundos pela frente!
Bjs menino
Berna, desculpa ter achado que tu era só careca. =(
Muito bom, Claudinha! E a melhor coisa pra gente quebrar os estereótipos é fazer exatamente o que você fez: reconhecer que os temos. Bom saber notícias suas! abraço!
Ótimo esse projeto "TED Talks". Fizeram um "TED São Paulo", mas acho que não "pegou".
Estar predisposto a enxergar novos ângulos é mesmo a chave da questão; não dá mais para continuar repetindo os velhos clichês. Li por aí que hoje recebemos três vezes mais informação por dia do que aqueles que viviam nos anos 60. Só que esse estudo era estadunidense, e esqueceram de mencionar que era baseado num habitante alfabetizado de um país desenvolvido, como de costume. E os demais, quem se importa?
Vou ali, ligar o meu iPod (importado) e assistir a uma série produzida nos EUA e que reproduz estilos de vida norte-americanos. Digo que é muito difícil resistir a esse apelo e mudar. Não sei se hoje conseguiria, talvez me falte conhecer esse mundo africano para poder enxergar verdadeiramente a realidade brasileira.
Boa demais a indicação do vídeo, beijo!
Ela toca em várias coisas que vc percebe aqui na prática, né? Antes de ir para Tete, achava surreal pessoas nao gostarem de ter uma casa de palha trocada por uma de cimento com banheiro. Mas quando a casa de palha era do seu bisavô e abrigou sua família por 3 gerações, sendo lar de muitos momentos felizes, vc começa a se livrar um pouco dos preconceitos criados por essa "single story" que ela comenta. Sensacional!
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