Imagine um lugar onde você estaciona o carro e já tem alguém dando boa tarde – mesmo que tenha um claríssimo interesse por trás desse cumprimento –, além de uma senhora simpática oferecendo seu restaurante para cozinhar um delicioso almoço e uma criancinha segurando uma caixa perguntando se você não gostaria de uma mãozinha para carregar as mercadorias.
Esse é o Mercado do Peixe de Maputo. O típico lugar onde qualquer patricinha que se preze iria fazer questão de manter uma distância maior que um raio de 4 quilômetros.
Por quê?
As fotos vão explicar o porquê.
Mas antes leia: o Mercado do Peixe é aquilo mesmo que eu disse, um local onde você se transforma, em menos de 1 minuto, no centro das atenções.
Estruturalmente é cheio de barracas organizadas de uma maneira bem desorganizada, mas é uma desorganização padrão. Ou seja, toda vez que você for lá, vai ser daquele jeito. Então a gente sempre sabe onde encontrar as maiores lagostas, os peixes mais frescos, os mariscos mais deliciosos, as lulas mais branquinhas e os camarões quem produzem a maior quantidade de saliva na sua boca enquanto você os escolhe. É impressionante como tudo é muito fresco. O mar é próximo e a impressão que se tem é de que os animais acabaram de sair do oceano direto para aquelas mesas de madeira revestidas de gelo.
Antes de chegar lá, os moçambicanos recomendam: Você é branco. Não se deixe enganar. Pechinche até não aguentar mais.
E foi isso que fizemos. Não sabíamos qual era a hora de parar de pechinchar, mas nosso termômetro do bom senso indicava que quando o cidadão começava a ficar mal humorado com os preços que colocávamos, era a hora de ceder.
Fui eu, Lenilson e Victor em um dia de sábado às 16h. Os três sem almoçar. Saldo final:
4 latas de mariscos para a entrada (uma lata é pouco menos que uma lata de leite Ninho);
500g de camarão médio (no Brasil chamariam de camarão gigante)
1 Kg de lulas
E a sobremesa: uma lagosta que pesava pouco mais que 1,5 Kg.
Conta inicial: 740 mt. Ou seja: 26 dólares.
No final das contas (juntando os animais que compramos, o restaurante que fez o almoço com camarões grelhados, lagosta grelhada, lulas grelhadas, almeijoas (mariscos) de entrada, arroz, verdura, legumes, cerveja e coca-cola, pagamos um total de 1.500 meticais. Ou seja, 53 dólares divididos por 3 pessoas.
17 dólares pra cada.
Quase que eu esquecia: a trilha sonora desse nosso almoço era Roberto Carlos, Roberta Miranda e outro artista brasileiro que esqueci.
É MUITO comum ver crianças penduradas nas mães daquela maneira. O nome dessa "bolsa" é capulana. É muito engraçado ver as mães colocando as crianças ali. Elas se agacham pra poder amarrar.
Sonequinha durante o trabalho.
Mais uma capulana. Essa mulher tentou nos vender castanhas umas 5 vezes. (Essa é outra característica do mercado do peixe. A cada 2 milésimos, vem alguém tentar vender algo pra você).
Luízes Inácios.
Almeijoas! Aquela mulher de roxo - a última - foi onde peguei uma briga pra fechar em 100 meticais 4 latas (com direito a chorinho - aqui chamado de bacela).
Lagostas.
A lagosta tirando foto comigo.
Ela tava viva. Esses são os últimos momentos de vida de Victor antes de ser engolido.
PS.: Fotógrafo foi Lenilson!
Vejam o blog dele, tem cada foto da porra:
www.leninafrica.blogspot.com
3 comentários:
Oi filhão: o mais gostoso de tudo isto, foi ter te visto nessa foto. Por sinal, a mais atualizada.
Ficamos muito saudosos.
Deve ter sido um almoço e tanto...
beijos
painho e mainha
Ô rapá...dá prá fazer uma caldeirada de frutos do mar deliciosa...quando tu voltar traz ums amostrinhas grátis pra gente aqui, viu?
Beijo
É pena não aceitarem todos os comentários que vos são dirijidos, mas só os que vos interessa. Maputo é uma grande idade, maravilhosa e merece todo o respeito. O que lá há foi construido com muito amor e carinho, por todos (Colonos e MOÇAMBICANOS), e não merece que sejam usadas para comentários de sacanagem.
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