
Este último fim de semana viajamos para Phalaborwa – cidade da África do Sul. Uma viagem longa, mas recompensadora. Não vou focar a narrativa deste texto relatando como levaram minha carteira sem eu perceber, nem elogiando as amizades que fizemos por lá, muito menos exaltando o excelente lodge que nos acomodou, porque isso um amigo meu já fez. Basta você ir neste link:
http://momentosdelavidacotidiana.blogspot.com/2010/03/viagem-phalaborwa.html
- Onde estão os brancos? Eles não se misturam com os negros? Estão proibidos de entrar aqui? Que houve?
- Mas, por quê? E se, por um acaso, o negro entrasse na boate e ficasse em um canto, sentado?
Ele repetiu o gesto que fez da primeira vez - o mesmo gesto que fazemos quando queremos demonstrar um murro.
Fiquei surpreso com aquilo. Inocência minha ou não, a verdade é que o racismo é muito latente e explícito em Phalaborwa.
No entanto, a parte que fiquei tão surpreso quanto a descrição da intolerância na boate, foram as situações como a abertura de uma conta corrente em um banco. Para fazer isso, você precisa pagar uma taxa, caso seja branco; ou não pagar nada, caso seja negro. O mesmo vale para matricular seu filho em uma escola pública. Segundo “meu informante“ (que estuda em uma escola pública), para estudar lá, o branco precisa pagar uma taxa mensal, enquanto o negro não (e talvez isso seja um dos motivos para que, na sala dele, haja 5 brancos e 35 negros).
Saí de Phalaborwa com uma vontade enorme de voltar pelas amizades que fiz com o pessoal do lodge, que nos recebeu não como clientes, e sim como amigos. Mas fiquei triste em saber que, por conta do racismo, muitas pessoas deixam de conhecer outras pessoas excepcionais. Sejam elas brancas ou negras.
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